Opinião: O espelho proposto por Glória Perez em 'Salve Jorge' incomoda - geraldopost

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Opinião: O espelho proposto por Glória Perez em 'Salve Jorge' incomoda

Opinião: O espelho proposto por Glória Perez em 'Salve Jorge' incomoda

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Salve Jorge de Glória Perez, diferentemente das anteriores, 'peca' no realismo exagerado, o que impede de fazer o brasileiro sonhar, é este o maior empecilho que a autora de outras pérolas da teledramaturgia nacional tem encontrado para fazer sua trama atual deslanchar.
Apesar das licenças poéticas que a novela possui, a trama é muito mais um docudrama do que uma novelão clássica foge do esteriótipo dramalhão que das novelas anteriores, que também tinham seus personagens 'reais', mas eram na sua natureza uma série de situações, falas e beijos na base de grandes mentiras.
Glória sempre fez um trabalho primoroso mesclando a vida real com a 'licença poética' que o gênero pede e sobrevive, mas o tráfico de mulheres é tão absurdamente real que parece mentira, assim como a gritaria e os barracos das personagens do morro do Alemão, é um exagero de vida real que chama muito mais atenção do que o lado ficção da novela.
Este é o maior pecado cometido pela autora, até agora, não se pode exagerar muito na realidade que acaba afastando o telespectador, que sonha em ter uma mansão com café da manhã farto sobre a mesa, estas coisas já vimos em filmes como Tropa de Elite e Cidade de Deus, as novelas precisam ser um pouco mais rocambolescas do que reais.
A mocinha não é a clássica chorona conformista - assim como a maioria das mocinhas de Glória - e nem mesmo de olho e pele clara, é uma atriz de um vigor assegurado e de um talento estrondoso, o que afasta qualquer cidadão acostumado com atrizes de segunda linha em cena. O telespectador está perdido, não sabe se torce pela mocinha ou pela vilã, não consegue se encontrar em nenhuma das situações.
E foi esta mentira exagerada que fez de Carminha de Avenida Brasil ser o sucesso que foi. A vilã, escrita por João Emanuel Carneiro, falava tudo o que todos querem dizer, mas não tem coragem. A vilã de Cláudia Raia é muito mais trabalhada na psicopatia do que na fala politicamente incorreta. Foi um risco que Glória arriscou após o tremendo sucesso da novela anterior.
Glória não está errada, mas é o público que é acostumado a sonhar com a vida de rico, pois o espelho, como nós bem sabemos, incomoda e muito.

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