Meu "gaydar" identificou a homossexualidade de Mateen

Omar Mateen em duas das selfies que são compartilhadas, ele foi identificado como rapaz que adora selfies (reprodução)
O doze de junho foi diferente para mim, acordei e não olhei as redes sociais como faço diariamente, já passava das 10h da manhã quando saí da cama e fui comprar os itens para o café da manhã. Quase uma hora depois, abri o Twitter e dei de cara com a notícia doa atentado em Orlando. Meu namorado comentou: "Viu o atentado à boate gay?", peguei meu notebook para dar a primeira nota sobre o assunto.
Horas depois, quando as notícias passaram a tomar conta de todos os perfis nas redes sociais e na imprensa brasileira, surge a foto do 'possível atirador', Omar Mateen, de 29 anos, muçulmano e provavelmente terrorista ligado ao Estado Islâmico, às 16h49 confirmado pela imprensa brasileira, mas nada de fato comprovado.


Quando bati os olhos em Mateen o 'gaydar' apitou, era gay e atacou a boate por repulsa, minha família está de prova para comprovar. Era dia dos namorados e estávamos nos arrumando para ir ao cinema, pouco antes das 17h partimos e comentei o medo de fazer este tipo de afirmação e ter a página invadida pelo IE.
Gaydar é um aplicativo de namoro destinado ao público gay, na sua maioria os homens. Este tipo de app se tornou muito popular no meio da década passada com o boom de aparelhos com sistema operacional Android, Gaydar (ou em português radar Gay) é um dos pioneiros, e depois acabou ganhando concorrentes como Grindr, Hornet e Scruff.
Fomos ao cinema e voltando para casa vi esse posto do Estadão, printei a tela e postei: "isso é foto de boy caçando em app. Homofobia pra mim é tesão reprimido, ficou ofendido com. Gays se beijando há dois meses, pq não tinha coragem de sair do armário":


Pouco mais de 24h depois as informações foram confirmadas, ele tinha perfil em app's de relacionamento direcionado ao público LGBT e era frequentador da boate Pulse, onde ele fez 49 vítimas fatais e mais 53 vítimas de violência.
Mateen usou da homofobia e da felicidade e coragem alheia para provar sua 'macheza', pouco antes de disparar os tiros ligou para a polícia vangloriando o Estado Islâmico e para uma emissora de TV, antes de morrer fez postagens no Facebook.
Siddique Said, pai de Mateen, fez uma declaração no começo da tarde do próprio domingo, 12, denunciando a homofobia do filho, em uma visita à Miami ao presenciar um beijo entre dois homens gays ele teria ficado furioso.
Esta reação homofóbica é típica de quem se esconde dentro do armário, por ter problemas com a própria sexualidade, seja ela psiquiátrica ou por medo da reação da família, e o fato de ser muçulmano complicava ainda mais: o Estado Islâmico condena a homossexualidade e vídeos na internet comprovam isso, o IE joga homens homossexuais do alto de um prédio em um deles.
Mateen foi descrito ainda como um rapaz que adora selfies, suas primeiras fotos divulgadas são selfies de frente ao espelho, em seu perfil no myspace. Na adolescência Mateen teve uma série de problemas, testemunhas ouvidas dizem que ele vangloriou aplaudindo os ataques do 11 de setembro, ameaçou matar colegas e um professor disse que reconheceu nele um possível adulto violento.
Ele foi descrito pela ex-mulher como "instável psicologicamente" e que "poderia ter tendências homossexuais", segundo reportagem do SBT Brasil e que inclusive teria dito ao FBI sobre o assunto.
HOMOFOBIA MATA
No Brasil o caso causando grande comoção, mas também comentários homofóbicos dizendo que a boate estava repleta de HIV e outros vangloriando o ato de Mateen. No Brasil a cada 31 horas um LGBT é assassinado, os dados são dos site Homofobia Mata, que é administrado pelo Grupo Gay da Bahia, no ano passado foi uma morte a cada 27 horas.

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