"Velho Chico" é uma novela chata, mas seria uma grande minissérie

Grande novelista e grande homofóbico, Benedito Ruy Barbosa (reprodução)
Por vários momentos eu anuncie que iria vetar a novela Velho Chico, devido a fala homofóbica que o autor da novela Benedito Ruy Barbosa, fez na festa de lançamento da novela. Mas não é possível ignorar o (ex) principal produto da televisão brasileira, a trama de Benedito que fora escrita pela filha Edmara Barbosa, mas hoje é comandada por Benedito e o neto Bruno Luperi.
A direção da novela é belíssima e comandada pelo olhar e mãos do diretor artístico Luis Fernando Carvalho, este sim que merece todo o mérito pelo produto que está no ar, seja pela direção de atores, propriamente dita, ou pelas belíssimas e encantadoras tomadas que a trama apresenta, do alto do drone, da câmera na mão, da trilha sonora. Carvalho comanda uma equipe estupenda, que é quase impossível dar o nome a cada um.
A trama em si, narra a briga entre duas famílias em que os membros se envolveram no passado e no presente, fazendo a briga ser ainda mais acirrada. É mais praticamente mais do mesmo das tramas de Benedito, foi assim em Renascer e O Rei do Gado, tem até mesmo a repetição de situações como o pai (Fagundes) que renega o filho (Marcos Palmeira, em Renascer, e Lee Taylor, Velho Chico).
A discussão sobre política, questão ambiental, reforma agrária e coronelismo estão presentes nas três novelas, na atual a abordagem não sacudindo o público como o esperado, acabou se tornando uma trama arrastada, em um era que o público quer uma trama mais ágil. Não é possível dizer quem é o culpado de quê, porém o cliente sempre 'manda', e isso prejudica o andamento da novela, afinal, o diretor se nega a mudar a narrativa, mas o que tudo indica vai mudar a sinopse dos irmãos que se apaixonam, dizem que eles virarão primos, aguardemos.
A novela é bonita, mas seria ainda melhor, se fosse uma minissérie, produto que a Globo abandonou há anos após se descuidar e coloca-la em horário problemáticos no ar. Criou a "Novela das Onze" para suprir o público que gostava da faixa, mas escorrega vez ou outra, por apresentá-la em horários não determinados sem fidelizar o público.
No final de tudo, o que se vê é a emissora perdendo a mão e errando naquilo que sempre foi referência, na fidelização do público e na teledramaturgia. É um erro sucedendo o outro, são novelas ruins que vão entrando na sequência uma da outra. Para se ter uma ideia, a última boa novela foi Salve Jorge, de Glória Perez, que caiu em desgraça por ter um diretor horrendo, mas tinha uma trama inteiramente discutida no país.
Se Velho Chico fosse uma minissérie de três meses seria um sucesso insuperável, só parar para ver as brilhantes atuações do seu elenco tendo como única exceção a peruca de Antonio Fagundes, que tem vida e atuações (tosca) própria.

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