O machismo, o clichê e o recurso dramatúrgico do tapa na cara em "A Força do Querer" - geraldopost

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O machismo, o clichê e o recurso dramatúrgico do tapa na cara em "A Força do Querer"

O machismo, o clichê e o recurso dramatúrgico do tapa na cara em "A Força do Querer"

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Reprodução/TV Globo
O acerto de contas entre Joyce (Maria Fernanda Cândido) e Irene (Débora Falabella) em "A Força do Querer" exibido pela Globo na noite de segunda (24) fomentou novas e velhas discussões nas redes sociais: o uso do clichê, o uso do recurso dramatúrgico em busca de audiência e o machismo, em torno de colocar duas mulheres brigando em cena "por causa de homem", o que é uma inverdade.

Primeiramente, Joyce e Irene não brigaram por causa de homem, no caso Eugênio (Dan Stulbach), Joyce ficou possessa por ser vítima de uma armação de Irene que se passava por sua amiga e o pior, no pensamento de Joyce, a humilhou indo na sua casa, entrou no âmbito familiar zombando de sua cara. Para Joyce, analisando as cenas exibidas até o momento, a traição da "amiga" foi a verdadeira causadora das sapatadas na cara. Quanto ao marido, ela fez o seguinte: pediu o divórcio e ponto.

Muitas pessoas estão comentando nas redes sociais que Eugênio também deveria apanhar, discussão levantada inclusive pela atriz Débora Falabella que postou um Boomerang, socando Dan Stulbach com a legenda: "Na minha opinião quem deveria apanhar?", a briga entre mulheres e especialmente entre rivais sempre foram um prato cheio e um recurso dramatúrgico repleto de clichês, mas o que seria de uma novela se não tivesse clichês? Ela seria um documentário.

Consultada, a autora Glória Perez respondeu: "Querido, escritores lidam com a vida como ela é. Cartilha de bom comportamento não é com a gente não... ", e assim é a verdade da vida, briga de mulher sempre deu audiência, seja ela no Ibope ou no termômetro doméstico, quem nunca viu uma briga na rua de duas mulheres e esticou o cabeção para assistir de camarote, elas sendo conhecidas ou não. Existem vários vídeos na internet que ressaltam esta curiosidade, e mais, que mulher traída não gostaria de encher a cara da amante do marido de porrada.

O que a sociedade vive hoje em dia, é uma cultura repleta de "mi mi mi", dizer que quem deveria apanhar era Eugênio e não Irene, é no mínimo ridículo. Na verdade os dois deveriam apanhar. O Brasil precisa aprender a pensar, precisa separar o que é novela e o que é realidade, enquanto o público fica preocupado com a briga de mulheres na novela das nove, os políticos estão articulando as maiores sandices para roubarem os direitos mínimos do trabalhador.

As novelas, ao longo dos anos, acabaram se tornando o único meio de cultura do brasileiro, o pobre não tinha (e continua não tendo) dinheiro para assistir a um espetáculo de teatro ou para ir ao cinema, e tem na personagem da novela das oito a referência cultural para a vida toda. As novelas são na realidade produtos de consumo disfarçados de entretenimento, manipula a massa para ter tal comportamento, seja ele para o bem: como respeitar os idosos, os homossexuais, o alcoólatra, ao negro, às crenças na sua forma mais variada, entre tantos outros assunto.

O que nós precisamos é na realidade é de uma sociedade menos hipócrita. O Brasil é nada mais nada menos que uma grande Santana do Agreste, repleta de hipocrisia, preconceitos, egoístas e tiranos. 

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