Mauro Alencar: 'Beatriz Segall deixa a sua marca no Olimpo da arte dramática' - geraldopost

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Mauro Alencar: 'Beatriz Segall deixa a sua marca no Olimpo da arte dramática'

Mauro Alencar: 'Beatriz Segall deixa a sua marca no Olimpo da arte dramática'

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MAURO ALENCAR - especialmente para GERALDOPOST

Conheci Beatriz Segall por ocasião de meu curso no Teatro – Escola Macunaíma, em 1986. Como atividade dentro da matéria História do Teatro, fomos assistir à encenação de O Tempo e os Conways, um drama neorrealista de J. B Priestley escrito em 1937 na Inglaterra. Beatriz representava com total perfeição a matriarca da família, fazendo-nos refletir sobre elegância e aristocracia; acrescida de uma visão crítica das mazelas sociais e até mesmo de certo distanciamento necessário para não cairmos nos abismos psicossociais. Para mim, essa passagem sintetiza bem a personalidade e o talento da atriz e mulher Beatriz Segall.

Claro, seu precioso trabalho já havia chegado, por meio da telenovela, até a minha geração com a Celina, de Dancin’ Days, em 1978, e conquistado fama no papel de Lourdes Mesquita, a vilã de Água Viva. Ambas na TV Globo e escritas por Gilberto Braga. Chamou atenção também por interpretar Noêmia, uma das filhas da poderosa Guilhermina Taques Penteado (Cleyde Yáconis) em Ninho da Serpente, a mais aristocrática de nossas telenovelas. Não por um acaso, uma obra de Jorge Andrade. Sobrou, ainda, espaço para papéis de mulheres humildes como a Eunice de Champagne, de Cassiano Gabus Mendes, e a Alzira, mãe da protagonista Carmem interpretada por Lucélia Santos, desta vez na Rede Manchete. Destaco também  a Laura de Sol de Verão, compondo uma família com os papeis de Irene Ravache Débora Bloch em texto de Manoel Carlos; a geneticista Miss Brown de Barriga de Aluguel e a Stella em De Corpo e Alma, criados por Glória Perez. Em Lado a Lado foi a charmosa personagem Madame Besançon. E na série Lara com Z, mais uma vilã: Maria Beatriz, que rivalizava com a protagonista Lara Romero vivida por Susana Vieira.

Todas elas poderiam muito bem ser enfeixadas na extraordinária composição de Odete Roitman, de Vale Tudo. Bastou sua primeira aparição, no capítulo 28, em close que mostrava apenas os lábios e o olhar numa voz metálica para a atriz deixar impressa, em gestos e expressões, a sua marca no Olimpo da arte dramática.

Imagem: Acervo TV Globo

* Doutor em Teledramaturgia Brasileira e Latino-Americana - USPAutor de A Hollywood Brasileira - Panorama da Telenovela no Brasil (laureado na Feira de Frankfurt) e da coleção Grandes Novelas

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