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PARADA GAY: Convidados opinam sobre "Que Parada é Essa?"

A Parada do Orgulho LGBT em São Paulo é a maior do mundo, cerca de 3 milhões de pessoas, entre heterossexuais e homossexuais se reúnem na Avenida Paulista e suas intermediações para dançarem ao som de trios elétricos que tocam músicas eletrônicas.
Criada há 15 anos a Parada Gay começou com aproximadamente 2 mil pessoas, protestando e lutando pelos direitos gays,  com o passar dos anos os números foram aumentando e já em 2009 entrou para a Guinnes Book como maior Parada Gay do mundo, com 3,5 milhões de pessoas, já então naufragada na militância e popularizada como uma balada ao céu aberto, peca quando se trata de assuntos realmente importantes para a comunidade gay no país, temas são propostos a cada ano, mas as frases não passam de 'figuração' em banners e publicações, não se vê militância ativa durante todo o ano.
O evento é marcado por um pronunciamento ao meio dia, que logo é esquecido quando começam as batidas eletrônicas dos trios elétricos. Não que seja feio ou inconveniente tocar música eletrônica e ter corpos desnudos ali dançando, exatamente pelo contrário, é bonito e chamativo, tudo o que este tipo de evento precisa para ser popular, mas a mudança do popular para o popularesco muda completamente o significado do evento, provando que a causa não é bem empregada.
A causa gay tem ganhado cada vez mais as páginas da imprensa brasileira, todos eles com termos pejorativos que ampliam a futilidade do evento e desfocam do tom político para o tom festivo, mas isso é culpa do próprio gay que em sua maioria vai para a Parada para se divertir.  Quando a militância gay convida estes gays para protestarem não aparece ‘quase ninguém’. Um exemplo claro de ‘desunião’ é o protesto realizado em 8 de outubro de 2011 (após um casal de gays  ser agredido, no dia 1º , quando saíam de um bar na rua Bela Cintra) cerca de 150 pessoas foram ao protesto, que foi organizado pelo Facebook e que tinha 2 mil ‘participantes’ virtuais.
Chegou a hora de mudar.


Alice na Parada do Orgulho Gay de SP
É se a Alice, personagem da obra de Lewis Carroll, viesse parar na 16° Parada do Orgulho LGBT, que ocorre na Avenida Paulista, ela iria se deparar com mais de 4 milhões de pessoas confraternizando um momento de alegria e descontração, em meio à famílias, vendo gente bonita desfilando fantasias cheias de brilho e glamour.  Alice iria ficar maravilhada com toda a segurança, organização e eficiência dos órgãos públicos que organizam a “Parada”, que é considerada uma das maiores de todo o mundo. Ela ira comemorar junto com todo o público presente a união de todas as classes de gays nessa marcha contra a homofobia. Mas, Acorda Alice! Você não está no país das maravilhas! A parada do orgulho gay de são Paulo há tempos deixou de ser uma marcha para conscientizar a população a respeito dos direitos dos homossexuais. O evento, hoje em dia, não passa de mais um motivo para ladrões, batedores de carteiras (fazerem a limpa no público presente), jovens beberem até caírem, é um festival de gente feia desfilar nas ruas da cidade. O evento, que já é um dos mais importantes da cidade, deixou de ter um tom político como deveria, para se tornar sinônimo de bagunça e ferveção entre os gays. Longe de mim ser homofóbico ou ter qualquer tipo de preconceito, mas na minha opinião a “Parada” deixou de ser um orgulho aos gays, tá mais para vergonha. Mas se a Alice realmente viesse para a Parada Gay, ela iria ficar tão constrangida com a falta de organização e segurança da cidade que iria preferir voltar para o seu conto de fadas e enfrentar a terrível Rainha de Copas.
FRANCISCO LIMMA, 28 anos, Jornalista do blog Janela Cultural .

Que Parada é Essa?
A Parada Gay de São Paulo é uma das mais chamativas do mundo assim como a do Rio de Janeiro, em suas últimas edições, vem deixando muito a desejar. Ao invés de parecer uma passeata pelo direito do povo GLBTT do Brasil, vira uma festa a céu aberto. Mesmo com os seus temas propostos, não são todos que vão para manifestar, pessoas vão apenas para curtir, ver quem ‘pega’ mais, melhor dizendo, acabou virando um evento turístico para a Cidade de São Paulo apenas para gerar receita, ou seja, o propósito original acaba se perdendo. Em consequência, este ano a verba da PMSP (Prefeitura Municipal de São Paulo) para o evento será menor que nos anos anteriores, inclui até mesmo o número de trios elétricos (Oficiais da Organização) que diminuíram dos cinco de sempre, para os atuais três, por falta de patrocínio. Acredito que pode melhorar, mas a população GLBTT precisa parar de pensar que a Parada Gay é uma balada na Av. Paulista, e começar a ver que o evento é uma passeata de luta por direitos iguais, que graças ao enorme público, chama atenção no mundo inteiro.
DANILO FRANCELINO

Que Parada é essa?
Isso eu me pergunto todos os dias! Um movimento desnecessário. Um carnaval fora de época? Um grande circo a céu aberto? Um darkroom ao ar livre? Esse assunto é bem delicado, pois as pessoas não estão preocupadas com o verdadeiro sentido da Parada Gay, a realidade é que isso tudo não passa de um movimento para alimentar os cofres públicos e, tudo o que é clamado por direito nunca foi conquistado, ou seja, são 16 anos perdidos, que o movimento acontece, e que não é conquistado direito algum, resumindo, um fracasso total. Por outro lado, é nesse período que todos os hotéis de São Paulo estão superlotados, proporcionando assim uma arrecadação de impostos surpreendente. O título da parada gay só é propagado na internet, no movimento pouco se fala e, os que frequentam em sua maioria, nem sabe o título da mesma. O acúmulo de homossexual na região central de SP, trás à Parada, uma visibilidade bonita, várias raças, várias nações, todos juntos pedindo o que mesmo? A nação GLBTT se expõe de forma ridícula e acha que é dessa forma que vai alcançar os seus objetivos. Lamentavelmente eu posso afirmar-lhes que, a forma com que está sendo tratado o assunto homossexual pelas associações é desonrosa. Que parada é essa? É uma nação homossexual dizendo à nação heterossexual o que Zagallo disse há alguns anos atrás: - Vocês vão ter que me engolir!
ROGÉRIO PETRI

Estamos cansados de tanto ouvir e assistir a discriminação aos gays no Brasil. Um país machista, onde a Igreja infelizmente ainda interfere na política, nas leis e na opinião pública. A Parada Gay parece que é o único momento do ano que vemos muitos exigindo seus direitos sem agir com ignorância e violência. E como é lindo ver uma grande mobilização de pessoas em prol de um ideal! Mas se você está só atrás de confusão, bebida, drogas... por favor, fique em casa. Não estrague a magia da festa. Sim, é uma festa para comemorar todas as conquistas até o momento, porque Gay Day acontece todos os dias, meu povo! E que Parada é essa? Para o público LGBT é mais uma luta pela cidadania, mas para os demais é um exemplo de que a união faz a força; e se queremos mudança precisamos fazer acontecer!
ANA RENATA LUCENA, 26, secretária executiva

Parada Gay 2012
Vemos um povo que levanta a bandeira contra a homofobia, uma luta eterna que tem que ser feita dia a dia. Hoje vejo que o contexto se perdeu um pouco com o passar do tempo, são donos de comércios e empresas que na época da Parada abrem os braços aos dinheiros vindo desse público e depois que passa a data as coisas voltam a ser "normais". De contra partida vemos a banalização da causa no decorrer da parada, onde vemos os próprios homossexuais cometendo delitos, sexo em publico entre outras coisas que são omitidas. Vejo uma pequena quantidade de homossexuais lutando para doar sangue, por exemplo, eu mesmo já fui discriminado em um homocentro por causa de uma liminar da ANVISA e não encontrei um advogado gay com coragem de me defender. Às vezes somos discriminados por atitudes praticadas pelos próprios homossexuais onde os pensamentos de determinadas pessoas se abrangem a todos os homos. Acho que temos que chegar a um ponto de analisar que todos “somos” iguais e todos “temos” direitos, então se queremos algo realmente, temos que ser exemplos. Deixar de fazer um carnaval fora de época e fazer a luta do dia a dia.
PAULO FURLAN, 32 anos, assessor musical.

Esta parada coloca um questionamento para ela mesma daqui em diante: REINVENTAR-SE e POLITIZAR-SE . Buscar formas mais criativas de participação, com mais liberdade de participação das pessoas, grupos e representações, menos burocráticas e mais lúdicas. É a hora também daqueles que tantos recebem dos indivíduos retribuírem, não fazendo mais somente propaganda para seus negócios, mas também defendendo bandeiras justas de interesse específicos ( não partidários) dos GLBTS e financiando uma parada mais bonita e politizada. Mas esta parada ainda é assim porque reflete a estrutura viciada e viciante de nosso Pais, da troca de favores, do jeitinho, da cooptação, do conchavo, e da falta de ligação das estruturas de representação do pais como é. O Congresso, os Partidos, Quem representa seus eleitores? A Parada cresceu tanto, que serve a tantos, que tem tanta gente justificando para que serve ,para tentar justificar a nossa razão do sentido dela existir. É porque todo mundo percebe o potencial que esta Parada poderá ter, e é subutilizado para a TRANSFORMAÇÃO dos próprios GLBTs . Se fosse encaminhada com um enredo bem construído. Todos num compasso exigindo do Congresso e do Governo, mostrando ao conjunto da população, o que é mais primordial para os GLBTs no PAÍS: o respeito e o fim da violência pelo preconceito, pela discriminação, pela liberdade de demostrar o afeto em público, pela criminalização dos discursos de ódio, que a homofobia seja criminalizada e equiparada aos crimes de racismo. Enfim, que se aprovem LEIS ABRANGENTES DE CRIMINALIZAÇÂO DA HOMOFOBIA e O PLC 122 . Este é o início para avançarmos novas conquistas, para a verdadeira diversidade com educação e sem homofobia. Com criatividade e alegria, como só NÓS ousamos fazer!
MARCOS MORCERF – Idealizador do Grupo

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