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'Salve Glória' da imprensa fi-fi

Um mês após a estreia de Salve Jorge, Glória Perez não só enfrenta a labuta diária de escrever uma novela das nove, como também a missão quase que impossível de se segurar com a imprensa fi-fi que resolveu pegar no seu pé pelas insuportáveis e inacreditáveis comparações com suas tramas anteriores, como se ela fosse a única a se repetir.
O que temos no momento é mídia sensacionalista que está criando um novela anexa à original que a emissora exibe no horário mais importante da televisão brasileira, notícias mentirosas de final antecipado, de estica-estica personagem e de situações, não é novidade para nenhum autor de novelas. A própria autora teve de se desdobrar por exemplo para arrumar protagonistas para o O Clone em 2001, quando Fábio Assunção e Ana Paula Arósio pediram para sair do projeto.
O casal protagonista, protagonizaram no começo daquele ano a minissérie Os Maias, no esquema de empréstimos, como a minissérie foi longa, com viagens internacionais e uma audiência capenga, apesar da produção primorosa, eles pediram para sair. Eis que entraram em cena Murilo Benício e Giovanna Antonelli, alçados a protagonistas e maiores nomes da atual geração.
Na atual novela Glória Perez talvez esteja pecando pelo excesso de verdade, Morena (Nanda Costa) é tão de verdade que acaba tirando atenção do telespectador, que não gosta de ver verdade nua e crua. Ela não é branca, mora no morro (aqui em São Paulo, chama-se favela), fala alto, não leva desaforos para casa, teve um filho ainda adolescente e ainda por cima é batalhadora, não tem medo de enfrentar a vida. Uma mocinha nada convencional.
Passamos seis meses nos enrolando com a trama Avenida Brasil e com Nina (Débora Falabella) que apesar da sede de vingança era uma covarde de mão cheia, teve já nos primeiros 50 capítulos inúmeras chances para desmascarar a grande vilã e seu algoz, perdeu todas as oportunidades possíveis e no final, não se vingou, viu seu plano ser estilhaçado por outro vilão, foi de tanto encher linguiça que acabou sem ação nos capítulos finais da novela.
O bom-mocismo de Morena é calcado principalmente no lado batalhador da atual mulher, a mulher dos anos 2000 que há duas décadas está conseguindo mudar tudo, o brasileiro quer ver mulher chorando e berrando de um amor impossível, na pura ilusão e na prática machista, afinal, a mocinha da novela das nove atual é o mocinho que tem a ilusão do casamento perfeito.
Ele é cheio de lenga-lenga, no primeiro problema termina tudo, faz aquilo que era coisa de mulherzinha, a mulherzinha de outrora é hoje a batalhadora que não tem medo de buscar a felicidade, que não se resume 'apenas' em viver 'feliz para sempre' com marido ao lado, é muito mais que isso: é vencer na vida e criar seus filhos dignamente.

Salve Jorge, Salve Glória!

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