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‘Minha Mãe é uma Peça’ perde fôlego e graça no terceiro filme

O filme Minha Mãe É Uma Peça 3 estreou nesta quinta em todo o país e focou na melancolia de Dona Hermínia, interpretada por Paulo Gustavo. A mãe, um tanto quanto sem noção inspirada na mãe do humorista, neste terceiro filme da saga, segue esculhambando E sendo rejeitada pelos filhos Juliano (Rodrigo pandolfo) e Marcelina (Mariana Xavier), dois egoístas de plantão.

No terceiro filme, Garibe, assim como nos demais, mal aparece em cena, a esposa dela é totalmente ignorada e netinho, Pedrinho, que aparece com toda graça no segundo filme, faz uma aparição relâmpago. O enredo do filme, com a falta de sutileza e situações tão óbvias que parecem escritas por Walcyr Carrasco, fenômeno na faixa de novelas que peca pelo exagero da trama simplória e por achincalhar Deus e o mundo.

Hermínia, como sempre, tenta controlar os filhos, como uma boa e insuportável mãe. Passa mal, o que faz com que os filhos reapareçam do além (já que não fica claro que eles moram no Rio ou em São Paulo, como no filme anterior). Ainda no leito do hospital, ela fica sabendo de duas novidades: Marcelina está grávida e Juliano vai casar. A partir daí, um texto cheio de palavrão e preconceitos, como um ‘bom’ filme brasileiro, vira coro.

Paulo Gustavo cai em uma armadilha besta, em determinado momento ele diz que não pode ter neto de Juliano, “por motivos óbvios” já que o filho é gay, mas em outra cena o marido dele aparece com os filhos do casal em uma cena desnecessária em Hollywood, sim na cidade das estrelas e não em Nova York, para onde Hermínia queria fugir desde o primeiro filme (um furo) bobo.

No exterior, as cenas ficam apenas baseadas no idioma que a mãe de Marcelina, não domina. Em um restaurante, ela e a amiga Lourdes não conseguem fazer o pedido de um prato. Antes, salva-se apenas uma breve passagem no museu com celebridades em cera: quando elas se destoam da beleza de Marilyn Moore e “se parecem” com ET - O extra-terrestre.

O humor depreciativo, típico das esquetes há anos de Paulo Gustavo, estão fortemente presentes, para variar Herminia esculhamba geral: as irmãs, o ex-marido, a sogra do filho, o filho e especialmente a filha, reforçando o estereótipo de ser absurdo ser gordo. Em outros, vários momentos, vida um festival de preconceito contra idosos. O filme tem tudo que se tem em uma família: o filho CDF, o gay, a gorda, o ex-marido, o porteiro simpático, a vizinha, a amiga brega, a sogra, as irmãs, ora maconheira, ora lésbica, mas não tem o beijo gay, vetado por medo do humorista em afugentar plateias.

A plateia ri, especialmente nas cenas de palavrão como filho da puta e puta que o pariu, mas são outros mais palavrões que entoam na boca dos personagens. O melhor disso tudo é que somos ou passamos por tudo isso no dia a dia, quem não tem uma mãe louca como Hermínia, conhece alguém que tenha. O fim chega, do nada, sem moral da história. À imprensa, Paulo diz que a saga chega ao fim, mas que Hermínia voltará em um seriado.

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