Nesta semana a novela Avenida Brasil chegou a um dos momentos mais esperados desde a estreia, Carminha (Adriana Esteves) teve todos os seus segredos descobertos pelo marido Tufão (Murilo Benício) e toda sua família, foi um show de interpretação de Adriana Esteves que é sem dúvida o maior destaque desta novela.
Do tapa na cara que levou do marido a uma polêmica que esta sendo turbinada por ativistas em direito da mulher que mais parecem um desocupados 'cri-cris' que vivem procurando 'pelo em ovo', enquadrar Tufão na Lei Maria da Penha, como sugeriu um blogueiro do portal de notícias UOL, é pura ignorância, afinal, é tudo novela.
Uma querida amiga comentou isso comigo via Twitter minutos depois da cena, na hora até concordei com ela, mas a ocasião não era propicia para debater ou levantar qualquer bandeira. Eu até concordo com o pensamento dela, mas a tal cena não se aplicaria a este assunto, afinal, ali estava se passando uma coisa pontual, o único erro de tudo isso foi fazer Tufão, um pai bondoso e filho exemplar, bater em mulher, João Emanuel Carneiro, errou na mão, mas o público esperava por isso.
Nem sempre o que é certo ou errado é devidamente empegado nas novelas, apesar de muitas pessoas pararem em frente à televisão para seguir exemplo de alguns personagens, a maioria ali está apenas para se divertir. Muitos sabem que 'novela é novela e vida real é vira real' é a máxima, 'ahhh é novela', nisto é um vale-tudo. Quem não dá risada e não se sente de alma lavada com as falas pesadas e verdadeiras das vilãs? Por que os melhores textos estão sempre saindo da boca dos vilões? É pelo simples fato deles dizerem a verdade, a verdade que nós da vida real, não temos coragem e/ou oportunidade de dizer (com alguns exceções), pois temos de estar sempre vestidos das máscaras sociais.
As pessoas estão passando de todos os limites com o politicamente correto, este mal que está tentando limitar o uso de fatos e histórias, é um retrocesso que não chega a absolutamente nada proveitoso, nos leva apenas a um dos maiores tormentos da nossa história a censura. Querer fazer da televisão uma aula de boas maneiras e de didatismo para fazer o bem, é responsabilizar o próximo pela formação de opinião e caráter é pedir para que o autor de novela, que nada mais está ali para ganhar seu salário no final do mês, eduque seu filho por exemplo.
Inúmeras novelas já tiveram este tipo de cena, só na novela A Próxima Vítima, de Silvio de Abreu, Isabela Ferreto (Claudia Ohana) apanhou do noivo no dia do casamento e teve um corte no rosto causado pelo amante, após ser pega traindo-o. Depois disso a professora Raquel (Helena Ranaldi) em Mulheres Apaixonadas, de Manoel Carlos, apanhava do marido exaustivamente, na época muitos criticavam o autor dizendo que aquilo não existia. Cenas da novela Mulheres Apaixonadas são usadas nas campanhas contra este abuso até hoje.
Porrada e tapa na cara da vilã são as maiores armas que os autores das novelas possuem para alavancar a audiência e fazer o telespectador vibrar, querer fazer disso uma militância para o fim da violência doméstica é de uma tremenda bobagem, seria bem mais interessante se preocuparem em trabalhar voluntariamente em uma ONG do gênero e lutar ativamente cobrando de autoridades punições e ajudas psicológicas para aqueles e que sofrem deste mal na vida real.
Fica a dica.



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