O influenciador digital e dançarino Juliano Floss marcou o BBB 26, o seu posicionamento que quebrou estigmas sobre o comportamento masculino na sociedade - sendo chamado inclusive de gay nas entrelinhas - levantou um debate importância sobre masculinidade tóxica.
Ele mostrou que um homem hétero pode ser emotivo, foi motivo de chacota e vítima do machismod e Jonas, por exemplo. Na entrevista a seguir, Juliano analisa os principais acontecimentos que o levaram ao terceiro lugar e comenta quais são seus planos após o programa.
Você alcançou o 3º lugar no pódio do BBB 26. A que atribui essa posição no reality? Que balanço faz da sua trajetória?
Nossa, eu acho muito doido, porque a gente realmente tem a sensação de que não sabe de nada. Em relação ao público mesmo. Pelo menos eu e Ana Paula, quando a gente jogava junto, a gente ligava muito os pontos. Mas nossos pontos poderiam estar errados, era o que a gente pensava, a gente jogava de acordo com os nossos achismos. Então, poderia estar certo ou errado. Então a gente não ficava pensando nisso. Só que agora ver que o público deixou a gente ficar até a final, ver “os eternos” na final, eu acho que é uma coisa muito simbólica pra gente. A gente ainda não está conseguindo raciocinar muito bem devido a tudo que aconteceu. A gente espera muito pra chegar na final e a final passa muito rápido. A gente quer ficar lá muito tempo pra aproveitar essa sensação. Mas ouvir o Tadeu falar quem ganhou foi muito incrível. Eu nem consegui dormir essa noite, porque eu estou muito feliz. Durante a minha trajetória eu tinha muita fé, mas não dava pra ter certeza de que isso ia acontecer. Então chegar de fato, depois de 100 dias lutando muito, foi uma coisa que me deixou muito orgulhoso mesmo, sabe? E sem o público isso não seria possível. Então eu estou mais feliz ainda de saber não só que eu cheguei, mas que o público foi comigo.
O público acompanhou sua evolução no jogo ao longo da temporada. Em que momento percebeu que estava crescendo dentro do jogo?
Não sei se você vai acreditar em mim, mas foi só agora que eu cheguei na final. Eu juro. Quando voltei do meu primeiro paredão, eu fiquei muito feliz. Todos os paredões são intensos, na verdade. Cada um tem um sentimento diferente. Mas, no primeiro, você realmente está mais perdido. Quando você volta do primeiro, você sente que tem alguém com você. Mas se está forte no jogo? Não tem como saber. Isso a gente até pensou em esquecer lá dentro. Jogamos com base no que a gente estava vendo e com a lealdade do nosso grupo. Mas não tinha como saber de nada mesmo. Um paredão nunca te responde nada, isso é muito doido. Na final eu vi, por exemplo, um vídeo da minha cidade, a galera usando máscara, usando faixa... e até aquele momento eu ainda não tinha conseguido processar que a gente estava na final. Eu falei isso com a tia Milena quando a gente saiu do programa. Eu perguntei: você entendeu? E ela falou: cara, eu não entendi, você entendeu? E aí a gente ficou assim, bobos de felicidade.
Como integrante do grupo Camarote, você entrou no BBB com uma grande base de fãs. Em algum momento isso foi uma preocupação no confinamento?
Eu optei, na verdade, por não pensar nisso. Porque, se não, eu poderia me confundir, porque eu acho que o que importava é o que estava acontecendo lá dentro mesmo. A gente conversou sobre isso várias vezes, a gente nunca julgou alguém como forte ou fraco. A gente pensava no jogo. Eu sabia que pra mim o que ia importar mais é o que eu fazia lá dentro. Mas eu sabia que poderia decepcionar muitas pessoas também. Eu acho que é mais sobre isso. Você não pensa que está forte, você pensa em quanto você pode decepcionar. Então sair e ver que tem uma galera que torceu muito me deixou muito feliz.
Por algum tempo, você foi o elo entre os grupos de Babu Santana e Ana Paula Renault – a chamada “grande família” - mas quando o grupão rachou, você se viu no meio deles. Como foi lidar com essa situação e ter que escolher um lado para seguir?
O começo foi muito complicado, pra ser sincero, porque eram duas pessoas por quem eu tinha carinho, só que eu me encaixava mais no jogo da Ana Paula, eu sempre me encaixei mais. A gente sempre conversou sobre o jogo, a gente tinha uma troca muito da hora. Com tia Milena também, eu sempre tive um carinho muito grande desde o começo do jogo. Eu preferia jogar com elas mesmo, por isso que eu estava naquele quarto desde o primeiro dia. Mas o Babu era uma pessoa que a gente estava se aproximando, começamos um grupo de nove pessoas. Eles jogavam juntos, só que chegou um momento do jogo em que eles começaram a se desentender, por causa de uma prova. E eu estava no meio. E aí quando a gente saiu daquela prova, eles começaram a tretar já logo depois. No jogo, você pode ter uma relação de carinho pelas pessoas e não jogar junto com elas, sabe? Porque às vezes você pode não concordar com o jogo e ter uma boa troca com a pessoa. No fim, o Babu veio até mim e falou que não queria mais jogar comigo. Acabou sendo bom, porque aí eu pude conversar com ele sobre música, sobre cinema, mas jogar com quem eu concordava mais.
Na reta final, você e Samira tiveram um grande desentendimento e ficaram alguns dias sem se falar. Naquele momento você achou que poderia ser o fim dos ‘eternos’? Como se sentiu quando soube que ela votou em você?
Eu confesso que eu fiquei muito decepcionado naquele momento do jogo, porque eu não estava esperando mesmo, a gente tinha um objetivo de ir nós quatro até o fim. A gente tinha combinado de tentar fugir do paredão, de fazer estratégias pra gente ficar junto. Então, quando ela votou em mim, eu fiquei triste. Mas, de qualquer jeito, eu acho que é tudo muito intenso lá dentro. Realmente, eu não entendi na hora, foi algo que eu achei desnecessário. Mas a gente conseguiu conversar depois, a gente se resolveu. E foi triste quando ela saiu, porque a gente tinha esse negócio de “eternos até o final”, sabe?
Você foi visto como alguém que conseguia manter a calma em meio ao caos. Qual foi sua maior estratégia para não se deixar levar pelas tensões da casa?
Eu acho que é muito difícil não se deixar levar. Eu me entreguei muito, no sentido de “eu vou viver isso aqui o máximo possível, intensamente”. Então, quando algo mexia comigo, mexia também com o meu jogo. Mas não tinha como fugir das tensões. Em vários momentos eu só passava uma vassoura ou sei lá, lavava uma louça... ficava na academia pra ter pelo menos um momento em que eu não ficasse estressado. Porque realmente foi um jogo de muita treta. Mas eu não queria fugir delas em nenhum momento, foi só uma forma de aliviar a tensão. Eu tentava me distrair.
Quem foi seu maior adversário no jogo?
Pra mim foi o Jonas, porque realmente, teve um dia até que eu olhei pra ele e falei, ou você vai sair ou eu vou sair, porque a gente pensa totalmente diferente. Ele olhou pra mim um dia e falou que eu não ia ganhar nenhuma prova. Ele foi o meu maior adversário no jogo, mas eu não tenho nenhum rancor também. Foi só no jogo.
Em vários momentos, você se destacou pela leitura de jogo. Qual foi a jogada ou movimentação que mais te surpreendeu vindo dos adversários?
Teve um momento que a Jordana fez uma negociação com a Ana Paula, mesmo com elas sendo adversárias, se votando o jogo inteiro. Elas fizeram um combinado pra nenhuma delas ir para o paredão. Eu achei isso muito inteligente e estratégico.
Quais foram os momentos mais especiais da temporada para você? E os mais desafiadores?
Pra mim foi a volta do meu primeiro paredão, a volta do meu segundo paredão, a volta do meu terceiro paredão, a volta do meu quarto paredão (risos). Porque todo paredão é um paredão, né? Pode ser o fim ou pode ser o começo. E um momento muito especial pra mim também foi quando eu fui para o paredão falso, porque ali eu realmente achei que eu poderia estar saindo do jogo. Eu fiquei muito feliz, porque eu achei que iria embora. E quando eu voltei, deu sangue no olho pra jogar, pra continuar no game. Entrar na casa é mágico, voltar pra casa é mais mágico ainda.
Quais são seus próximos planos depois de participar do ‘BBB 26’?
Eu tenho que focar na minha carreira artística agora, porque tem muita coisa que eu estava segurando. Tem um projeto de dança incrível que eu estava fazendo há alguns meses. Então, eu já estou pensando nisso. Nos meus projetos de dança, nas minhas músicas, no meu curso de teatro. E eu quero agora tirar uma CNH também, porque eu ganhei um carro no Big Brother, e agora preciso dirigir (risos).
Que amizades deseja cultivar fora da casa?
Com certeza Ana Paula e tia Milena, maximamente. A gente combinou, fazermos um juramento de dedinho de que nós íamos continuar a nossa amizade. A gente ainda vai viajar junto, mas agora a agenda delas deve ficar apertada, pelo visto, e a minha também. Então, vamos ter que achar a data certa.


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