Em 'Salve Jorge' a autora Glória Perez foi mal compreendida


Salve Jorge foi a novela mais ousada dos últimos anos, ousadia que Glória Perez pagou com a baixa audiência e repercussão negativa, mostrou o quanto o brasileiro não consegue refletir sobre temas importantes para eles mesmo. 
Foram inúmeros os defeitos, de linguagem, da autora. A começar pela trama contada de trás para frente com Morena, magistralmente interpretada por Nanda Costa, sendo leiloada e depois fugindo, foi uma tática não comum em novelas, afinal, o gênero é longo demais para tal. Se fosse feito a primeira fase da novela, este 'oito meses antes', em duas semanas, talvez tudo tenha sido diferente. O público que perdeu os 40 segundos iniciais da novela, ficou semanas sem entender nada.
Dos personagens com pouco destaque, até chegar aos que em determinado momento desapareceram, muita coisa precisou ser contada para que o telespectador não ficasse ainda mais perdido. Glória tem um estilo de contadora de história, ao contrário de João Emanuel Carneiro, por exemplo, que jogava com o público uma história em caracol. 
O desenrolar da drama foi totalmente prejudicado pela direção, edição e continuidade, Marcos Schechmann aparece em seu pior momento, digno de demissão para ele e toda equipe. As cenas em que Morena aparecia, ora de cabelo liso e ora de cabelo enrolado, era de irritar qualquer ser razoavelmente inteligente do outro lado da tela. Outra parte prejudicial foram as cenas picotadas na edição, deixando a trama incompreendida. Nos tempos atuais, qualquer erro na televisão vira assunto e chacota nas redes sociais.
No geral, o tema central da trama, que é "tráfico internacional de pessoas" mostrou o quanto existem pessoas ruins no mundo, o quanto de dinheiro 'rola' para fazer dos nossos iguais, meros escravos.
Foi uma novela diferente, com uma protagonista favela, prostituída e acima de tudo 'guerreira'. Não foi comum nestes 60 anos de telenovela ver uma protagonista tão linha dura. 
É muito simples criticar por criticar, como a mídia fez nos últimos meses. A sociedade não compreendeu muita coisa da novela, por ter a típica preguiça de brasileiro, preguiça essa que contrapõe à falta de educação básica nas salas de aula.
Gays, travestis e transexuais foram também grandes destaques - para quem não sabe 'estes' são as maiores vítimas entre brasileiros - a comunidade LGBT não soube aproveitar o gancho para fazer uma discussão aprofundada, para variar.
A inveja de Elcio (Murilo Rosa), a carência de Érica (Flávia Alessandra), a alienação parental de Celso (Caco Ciocler) para com a esposa Antonia (Letícia Spiller) e inúmeros outros assuntos abordados, foram  mal compreendidos, era muita discussão e pouco entendimento, era informação demais.
Mas o pior de tudo é ver Glória Perez sair de cena mal compreendida, mas no final de tudo, mas na verdade eu tenho dó é da sociedade, quem sabe futuramente eles saibam compreender a importância de grandes assuntos.
Salve Jorge.
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