Há exatamente uma semana, às 10h08, o Brasil parava para acompanhar notícias da morte do empresário Senor Abravanel e do apresentador Silvio Santos (1930-2024), a Globo parou uma rodada de notícia variada de todo país para a entrada ao fico de Zileide Silva, no plantão do Jornal Hoje.
A jornalista Simone Queiroz, que entrou ao vivo no SBT no último sábado (17), para anunciar ao vivo a morte de Silvio Santos, deu uma entrevista ao Portal Terra e falou sobre os bastidores da entrada ao vivo. Simone disse que o SBT não tinha material pronto sobre Silvio Santos e isso foi o que mais pesou na demora de entrarem ao vivo para noticiar a morte do dono da emissora, que a pedido de Silvio Santos não tinha um material preparado para a ocasião, segundo reportagem da Folha.
“Só que isso nunca aconteceu no SBT em relação ao Silvio Santos. É absolutamente compreensível, aceitável, porque eu jamais, por exemplo, como filha, permitiria em relação ao meu pai, que se discutisse ou que se tentasse arrumar alguma coisa para o dia, que ele fosse morrer. Então nós, como nós, somos todos e temos esse DNA de SBT, esse DNA Silvio Santos, isso foi tudo preparado na hora", conta a jornalista.
"Nós interrompemos a nossa programação só agora porque também estamos administrando a nossa dor. A dor da imensa família brasileira. E agora, falando olho no olho do público do SBT, para dar uma notícia que nós nunca desejamos dar, a morte do apresentador Silvio Santos, aos 93 anos", foi texto dito pela jornalista ao dar a notícia, quase 90 minutos depois da concorrência.
Entrada ao vivo do SBT com a notícia da norte de Silvio Santos pic.twitter.com/CGLyaux8h5
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A Globo, por exemplo, entrou no ar às 10h08, poucos minutos após o próprio SBT anunciar pelo Instagram a morte do apresentador e empresário. A Record TV entrou no ar as 10h09.
Entrada ao vivo da Globo noticiando a morte de Silvio Santos pic.twitter.com/gpbpFuPfKT
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Entrada ao fixo na Record noticiando a morte de Silvio Santos
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OBITUÁRIO
A imprensa profissional tem em suas redações jornalistas especialmente voltados a esta função. “O obituário, a parte do registro jornalismo de quem morreu, serve para fazer essa documentação, uma espécie de reforço da memória”, conta Fernanda Iarossi, professora nos cursos de Jornalismo nas Universidades Municipal de São Caetano do Sul (USCS) e Anhembi Morumbi (UAM.
“Tem uma tradição, principalmente, no jornalismo norte-americano”, continua a Iarossi, que indica a leitura de O Livro das Vidas, publicado pela Cia das Letras, Matinas Suziki Jr, parte da coleção Jornalismo Literário, publicado pelo selo editorial.
“Aqui no Brasil, vejo que a gente não tem este fervor pelo consumo deste tipo de narrativa, que fala quem morreu, da uma espécie de mini-perfil, família, papel social… Principalmente no caso de figuras públicas e celebridades: o obituário acaba sendo uma homenagem, além deste registro da memória”, conta Fernanda Iarossi, que continua: “Como escrita, a gente pode falar que ele tem o aspecto, as vezes, mais vindo do jornalismo literário, com este poder descritivo. Essa tentativa de redesenhar a pessoa baseado nas suas características e as vezes trazendo entrevistas de pessoas próximas e de seus familiares”.
“Escrever perfis foi algo que sempre me interessou e a chance de contar histórias como a de Dona Cabeluda, a mais famosa cafetina do Recôncavo Baiano, é única”, postou em seu LinkedIn o jornalista Adriano Alves, há dois meses. Alves, conta em suas postagens, na rede social voltada ao relacionamento de carreira, a paixão em contar histórias: “No obituário da Folha, tive a oportunidade de compartilhar com milhares de leitores o exemplo de ser humano que foi Juarez do Petrape. Um dos primeiros "meninos do Petrape", instituição que tira crianças das ruas de Petrolina (PE), ele se tornou um educador social e ajudou tantos outros”.
“Tem também quem discuta, principalmente, em uma leitura acadêmica, uma confluência entre biografia e necrografia, que seria um modelo de vida retratado naquele texto, que é uma homenagem. Um registro histórico”, conta a jornalista. A narrativa do obituário de celebridades ganha status de “homenagem de registro histórico e principalmente de valorizar e reafirmar o papel a importância social daquela pessoa”, completa Fernanda Iarossi.


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