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Para Glória Pires, Maria de Fátima de 'Vale Tudo' era psicopata


A novela Vale Tudo volta hoje ao Globoplay - agora não tem mais data para acabar - os assinantes poderão assistir e 'reassistir' (este termo não existe) quantas vezes quiser. Não se trata de uma novela qualquer, Vale Tudo pode ser considerada a melhor novela de todos os tempos, que me perdoem fãs do Manoel Carlos, Glória Perez e Benedito Ruy Barbosa, afinal eu também sou fã destas ararinhas azuis.


Vale Tudo mostra as malezas do brasileiro, como a falta de ética e a ganância de uma pessoa, ou do coletivo. Especialmente de Maria de Fátima (Gloria Pires), uma pilantra de carteirinha, que dá um golpe na própria mãe, Raquel Accioli (Regina Duarte), protagonista e dona da novela do primeiro ao último capítulo, e hoje escanteada à latrina da direita bolsonarista. O embate, entre mãe e filha, entre o bem e o mal, permeia a novela. “Achei que esse antagonismo ia conquistar o espectador”, diz o autor Gilberto Braga ao relembrar a época em que escreveu a novela ao lado de Aguinaldo Silva e Leonor Bèsseres, em 1988. 

Mas a vilania mór de Vale Tudo, não estava apenas aí, tem ainda os impropérios de Odete Roitmann (Beatriz Segall) que acaba com o brasileiro, o rebaixando a cada cena. “A diferença maior entre as duas é que Odete Roitman tinha o poder e Maria de Fátima queria chegar lá. O desempenho das duas atrizes ajudou muito a que alcançássemos o sucesso”, completa o autor.

A trama é excelente, vale a pena ver (ou rever) cada capítulo. Para Glória Pires, sua personagem é uma psicopata: "O meu entendimento era que Maria de Fátima era uma personagem cerebral, eu busquei fazê-la desprovida de empatia, como os psicopatas são, em vez de acentuar os atos condenáveis que cometeu contra a própria mãe", diz a atriz que tinha 25 anos na época e brilha na pele da ardilosa filha de Raquel.

Glória ainda classifica a cena em que ela humilha o pai Rubinho (Daniel Filho) como marcante: "Houve uma cena que fiquei bloqueada. Era com o pai, Rubinho. Ela o desclassificava, como 'fracassado' que era, o humilhava", a atriz ainda classifica a novela como um divisor de águas em sua vida e carreira e relembra que a trama inaugurou a torcida do público pela vilã: "Acho que Vale Tudo inaugurou uma questão que eu não havia reparado antes, nas novelas, a empatia do público com a vilania. Isso é muito interessante porque a crítica social que a novela traz é muito próxima", diz a atriz.

E sobre a maior vilania da história está, justamente, no capítulo inicial, ao "deixar a mãe desamparada", clique aqui e assista a este novelão.

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