A diretora Amora Mautner retoma uma parceria com Walcyr Carrasco, após o mega sucesso de A Dona do pedaço, fizeram juntos Verdades Secretas 2, onde a amizade teria esfriado após muitas críticas às escolhas estética da direção, o público e da imprensa estranharam e a novela não foi um sucesso. Ficaram seis anos sem trabalharem juntos até a continuação de Êta Mundo Bom, a chata Êta Mundo Melhor, e emendaram agora com Quem Ama Cuida.
Amora, uma das responsáveis pelo sucesso de Avenida Brasil e Joia Rara, retorna ao horário nobre após sete anos, não esconde a empolgação com a novela: "Minha esperança é que o Brasil acompanhe, se envolva e se deixe tocar por tudo o que estamos construindo" e aposta em uma direção que aproxima o público da cena e da novela: "Quando houver a transição dos prédios para o estúdio, a sensação tem que ser: 'Estamos em São Paulo'. Esse é o nosso grande desafio."
Quais foram suas principais escolhas artísticas para a direção da novela?
Amora: O público vai ver uma novela com muita emoção, sustentada por atores absolutamente maravilhosos, que são a alma de qualquer projeto. Sem eles, não conseguimos trazer verdade nem emoção para quem está assistindo. Mas, junto a isso, existe um trabalho estético muito pensado. Eu tenho um olhar muito voltado para a forma, porque acredito que a beleza também é dramaturgia. A imagem cria atmosfera, orienta a emoção, coloca o espectador dentro daquele universo. Por isso trabalhamos com uma proposta formalista muito clara: cores fortes, vibrantes, quase melodramáticas mesmo, como o vermelho e o amarelo. Não é uma novela de tons pastéis, é uma novela que tem cor, que tem presença visual, e isso ajuda até a contrabalançar a intensidade dos conflitos. Mas essa concepção de beleza não é só paleta: está na direção de arte, na fotografia, na depuração dos enquadramentos. É uma estética que participa da narrativa, dá ritmo emocional, e sustenta a história junto com os atores. É essa combinação de emoção, forma e humanidade que eu espero que faça o público se conectar com a novela desde o primeiro capítulo.
O primeiro capítulo traz cenas dramáticas, como a enchente em São Paulo. Fale um pouco sobre os desafios.
Amora: Foi um desafio enorme, porque a gente precisava criar uma enchente em São Paulo numa escala nunca vista. Normalmente isso seria feito com efeitos especiais, mas, desta vez, resolvemos fazer tudo de um jeito diferente. Tudo foi gravado de verdade. Meu maior desafio foi pensar em como realizar isso. Estou muito feliz de ter encontrado, com a equipe, um caminho viável que dá essa emoção. Unimos o formalismo, que eu amo, com uma escala épica. Usamos LED gigante para ter realidade nos planos médios e closes. Os atores estavam vivendo aquilo ali. Usamos tecnologia muito próxima do que se faz em superproduções internacionais.
Como foi fazer externas em São Paulo?
Gravamos cerca de um mês na cidade e registramos muita coisa que vai aparecer ao longo da novela inteira. São Paulo é nosso grande universo visual, uma cidade linda. Queremos que o público realmente se sinta na cidade. Quando houver a transição dos prédios para o estúdio, a sensação tem que ser: “Estamos em São Paulo”. Esse é o nosso grande desafio.
Quais foram as principais referências estéticas para esta novela?
Amora: A estética nasce diretamente do conceito formalista que a gente desenhou desde o início, mas ela ganha força mesmo quando se junta às ferramentas que usamos para realizar isso. Trabalhamos com uma estrutura visual que envolve tecnologia, ilusão de ótica e uma busca de escala quase épica, inspirada num cinema que mistura realidade com fantasia. Essa referência ao formalismo aparece também no modo como a gente constrói a imagem: na composição, na depuração dos enquadramentos, no uso de LEDs gigantes que permitem que o ator viva a cena com verdade, com o ambiente realmente respondendo a ele. É uma estética que pede precisão, pede intenção, e que, para mim, potencializa a emoção e dá unidade ao que o público vai ver do primeiro ao último capítulo.
O que o público pode esperar de ‘Quem Ama Cuida’?
Amora: Para mim, essa é uma novela universal, porque fala de emoção, então, nossa meta é entregar isso ao público. A novela tem muitos ingredientes que o público brasileiro ama, e eu espero que eles sintam, em casa, a mesma intensidade que nós temos vivido aqui. Estamos com um elenco brilhante, um texto maravilhoso e um time genial, todos dando o sangue para que essa história chegue com verdade ao espectador. Eu acredito profundamente que essa energia que colocamos em cadacena se comunica com quem assiste. Minha esperança é que o Brasil acompanhe, se envolva e se deixe tocar por tudo o que estamos construindo.


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