#aForçaDoQuerer: Nova personagem trans entra na novela

Jane nos "Estúdios Globo" no Rio de Janeiro (Reprodução/Facebook)
Hoje na novela "A Força do Querer", de Gloria Perez, um novo personagem entra em cena na busca pela igualdade de gênero e representatividade de transexuais, travestis e transgêneros. A personagem será vivida pela transformista Jane Di Castro, militante trans e atriz famosa nos palcos cariocas, ela fará parte do núcleo de Nonato (Silvero Pereira) um transformista que sonha em levar para os palco um show idealizado por ele com a personagem "Elis Miranda" - como GERALDOPOST noticiou em fevereiro.

A entrada de Jane será avassaladora, ela irá cruzar o caminho de Eurico (Humberto Martins) que estará atravessando a rua sem olhar e quase será atropelada por ela. Ele, machista que só, vai dizer: "Tinha que ser mulher", batendo no capô do carro, e ela retrucará com voz grave: "Bate de novo, bate".

Ele, assustado dirá: "Que aberração é essa?!".

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O personagem, é um homem extremamente machista e já defecou seu preconceito em cena, quando contratou Nonato (Silvero Pereira) ele questionou o cabelo do empregado:

- Ah, mas você vai ter que dar um jeito de cortar esse cabelo Nonato, isso não é coisa de homem, não -, disse o empresário ao empregado recém-contratado.

Nonato disse que tinha o cabelo comprido por causa de uma promessa realizada pela mãe:

- Eu sugiro que você dê um jeito nisso aí, para você não ficar passeando nos corredores da empresa como uma marica -, completou o marido de Silvana (Lilia Cabral).

O preconceito de Eurico estará cada vez mais evidenciado, a partir de hoje (3) na novela de Gloria Perez. Eurico irá destilar toda a sua ignorância, ao contar para a esposa sobre o que o aconteceu, quando quase foi atropelado por Jane, a chamando de "aberração!".

PRÓXIMOS CAPÍTULOS

A entrada de Jane vai movimentar a vida de Nonato, que terá continuidade nos próximos capítulos da novela que está registrando recordes de audiência.

- Tinha que pegar essa gente, botar em tratamento intensivo! Queria ver se não se curava! Homem é homem, mulher é mulher! Isso aí a natureza já mostra quando a pessoa nasce! Fugiu disso é aberração! - deixando a esposa furiosa e Nonato ouvirá tudo sem falar nada.

Em outra sequência ainda no ar hoje, Nonato vai implorar para que Jane não conte para ninguém que são amigos:

- Tive que me montar, querida! fazer a linha machuda! Quem é que dá emprego a travesti? Travesti só tem vez quando é artista reconhecido que nem você! Seu Eurico está apegado a mim... O contrato era pra ficar com a mulher dele, mas manda eu carregar pasta, me põe plantada lá no escritório... fico lá, fazendo a egípcia! Tá dando pra pagar minhas contas e ainda mandar um dinheirinho pra família -, conta o motorista que sonha em encenar o espetáculo transformista idealizado por ele a personagem "Elis Miranda".

- Me aguardem o dia que conseguir montar meu show: ninguém segura mais Elis Miranda! Mas enquanto for mais um na multidão..., completa o motorista de Eurico para a amiga.

COMBATE AO PRECONCEITO

Ivana no consultório médico em cena que será exibida nesta quarta-feira, dia 3 (TV Globo)
Não será apenas a mudança de gênero que a autora irá abordar na novela, será também a aceitação de personagens transformistas (que fazem show) e travestis. Gloria está inserindo a personagem trans na novela de forma gradual e humana, com Ivana (Carol Duarte) sendo construída.

"Sei que vou salvar vidas. Ao criar uma empatia entre o público e os transgêneros, desejo permitir que essas pessoas sejam olhadas com compreensão", disse a autora em entrevista ao site "Notícias da TV", de Daniel Castro. A trama de Ivana tem sido construída gradualmente, no capítulo desta quarta-feira (3) ela irá ao analista.

Ivana irá em uma psicóloga e falaá sobre a angústia de não se identificar com o que vê no espelho: "Não me reconheço no que eu vejo. É como se eu estivesse fantasiada, disfarçada, dentro de uma imagem que não sou eu. Escondida dentro daquela imagem. Sabe como é?", conta a jovem.

Assim como na vida real, a terapia para pessoas que não se identificam com gênero, é na maioria das vezes, em grupo, com a família. "Queria conversar com sua mãe (...) Para poder te ajudar melhor. Tem detalhes da vida de uma pessoa que só as mães podem responder e quase todas as dificuldades da gente tem uma raiz lá... na infância remota", fala a psicóloga.

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