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Benedito Ruy Barbosa fez novela para além do entretenimento

Benedito Ruy Barbosa morto hoje em São Paulo, faz parte da seleta lista de novelistas brasileiros que fizeram do folhetim muito mais que entreter, fizeram a população pensar.

Benedito, Manoel Carlos, Glória Perez, Lauro César Muniz e Dias Gomes usaram dos artifícios da teledramaturgia para uma grandiosa audiência os dilemas de um Brasil dividido por diversos brasis.

Benedito começou na televisão como assistente da feitura da telenovela nos tempos de Glória Magadan, cubana responsável por implementar na Globo e na mente dos brasileiros o folhetim, naqueles tempos maniqueístas e distantes dos brasileiros.

Benedito impôs com sua escrita uma versão brasileira como um auto reconhecimento. Na discussão da reforma agrária e da ética parlamentar em O Rei do Gado e Renascer, o meio ambiente em Pantanal, a imigração e industrialização em Terra Nostra e tantas outras discussões.

Seja na faixa das nove ou das seis, ele usou o tom político para conduzir todas as suas tramas. Embora o lado estivesse notável isso em nada abalou a reputação e a qualidade artística.

Benedito encerrou a carreira com fracasso, Velho Chico, apresentada em tempos que a tramas rurais já estavam desgastadas, até mesmo pela linguagem teatral. A trama ficou marcada pela morte do ator protagonista, embora já na reta final.

Mas como diz Glória Perez, em sua homenagem de despedida ao colega autor, Benedito não morre, pois seus personagem seguiram emocionando a todos.

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