Opinião: A única saudade que "Velho Chico" deixa é pelo ator Domingos Montagner

A novela Velho Chico, de Bruno Luperi, do original de Benedito Ruy Barbosa e colaboração de Edmara Barbosa, acabou nesta sexta-feira, dia 30, fazendo uma rápida e singela homenagem á Domingos Montagner, ao som de "Francisco, Francisco" na voz de Maria Bethânia.

A trama que contou a saga da família "Dos Anjos" na luta contra o coronelismo, da família dos Saruê, foi uma das mais controversas tramas das 21h, lançada em Março para acabar com a sequência de tramas polêmicas que afugentava o público, segundo pesquisas da emissora, Velho Chico entrou no ar com bastidores mais interessantes do que a própria novela.

Na festa de lançamento da novela o escritor Benedito Ruy Barbosa fez uma infeliz declaração homofóbica, foi o suficiente para uma campanha de boicote contra a novela. Na sequência a morte do ator Umberto Magnani, a saída da autora Edmara e uma trama arrastada e intervenção da Globo, foram mais do que o suficientes para que o sinal amarelo fosse ligado na emissora.

Da beleza das imagens (da equipe) do sempre excelente Luiz Fernando Carvalho, diretor artístico e uma espécie de co-autor da novela, para atuações primorosas como de Gabriel Leone, Irandhir dos Santos, Camila Pitanga e Domingos Montagner, até a trilha sonora regional e belíssima com vozes de Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia entre outros... Velho Chico não convenceu. Nem mesmo figurões da teledramaturgia, como Antonio Fagundes, estava fazendo a felicidade do telespectador.

Velho Chico foi uma novela lenta, porém belíssima. Infelizmente exibida em um momento ingrato e repleta de problemas. Seria uma belíssima minissérie, exibida na faixa das 23h ou novela das 18h, como originalmente pensada pela emissora. A novela marcou a volta da fórmula desgastada de Benedito Ruy Barbosa, mas alçou a estreia de Bruno Luperi, que progrediu com a trama no ar.

Como se não bastasse todos os problemas, a morte do protagonista duas semanas antes do fim, deu um novo gás para a novela. A solução criativa e belíssima da câmera subjetiva, fez com que a novela se torna-se um tributo ao ator, no auge da carreira da TV e já festejado no meio artístico, Domingos não foi poupado de homenagens, postagens nas redes sociais e nas críticas da imprensa especializada e de blogueiros.

Com a fim da novela, com licenças poéticas como a chuva dentro da Igreja, o parto de gêmeos, e a 'construção', da mata e água no sertão, a novela acabou com ar melancólico, poético e de uma beleza sem fim. Mas a única saudade que fica, é do ator morto em seus bastidores.

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