Em cena exibida nesta semana em "Explode Coração", Gloria Perez citava a identidade de gênero - geraldopost

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Em cena exibida nesta semana em "Explode Coração", Gloria Perez citava a identidade de gênero

Em cena exibida nesta semana em "Explode Coração", Gloria Perez citava a identidade de gênero

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A novela "Explode Coração", de Gloria Perez, voltou ao ar na última segunda-feira (29) no Canal Viva, exibida originalmente entre 6 de novembro de 1995 e 4 de abril de 1996, a novela trouxe pela primeira vez em uma telenovela brasileira uma personagem drag queen. Sarita Vitti (Floriano Peixoto, na foto acima): "A primeira "drag-queen" da televisão brasileira, em 'Explode Coração'", diz a jornalista Maria Lucia Rangel, em sua coluna na Folha.

Este título, se dá à novela, embora outras tramas já exibidas apresentassem uma trans, como "Tieta" (1989), de Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moreztshon, foi em "Explode Coração" que uma trans fez uma novela do primeiro ao último capítulo. "Eu tinha tanta vontade de ter um filho. Muito triste a gente nascer num corpo errado Odaísa, Deus se distraiu quando me prendeu num corpo de um homem. Eu sou uma mulher, minha alma é de mulher", disse a personagem que fazia uma variação entre drag queen, travesti e transformista.





Na época, a personagem causou polêmica entre militantes LGBTs, justamente por não ser a definição de um só dentro do segmento T. 'Personagem cria polêmica entre gays', assinada por Fernanda da Escóssia, "A alma feminina do personagem Sarita Vitti [...] criou polêmica na ala homossexual militante: drag queens, travestis e homossexuais dizem que Sarita tem identidade indefinida", diz a reportagem em uma época que não existia diferenciação entre gênero e sexualidade.

Porém, 20 anos depois a autora Gloria Perez voltou ao horário nobre para explicar a diferença entre gênero e sexualidade, na novela "A Força do Querer", a autora contou a história de Ivan/Ivana (Carol Duarte), Elis Miranda/Nonato (Silvero Pereira) e Jane Di Castro de forma didática, esta foi a única saída encontrada para explicar ao telespectador as diferenças básicas.

"Parece uma bicha louca, está afetado demais, agressivo e grotesco. É mais um travesti, porque se veste de mulher durante o dia", disse Isabelitta dos Patins, em entrevista à Folha (26/11/1995). O ator transformista foi uma das fontes de pesquisa para a personagem na época e chegou a participar de uma das cenas, entre os 185 capítulos. A jornalista ainda assina uma entrevista com Floriano Peixoto, ainda naquela edição do TV Folha.

"A ideia era viver o limite entre o homem e a mulher. Não queríamos definir como 'drag queen' ou travesti. A melhor definição para Sarita é sua alma feminina", afirmou o ator, que na época defendia que a personagem assumisse o papel de travesti, porém existia um temor de que o público rejeitasse a personagem 'e provocasse uma reação capaz de tirá-la da trama', explica Escóssia.

REPRESENTATIVIDADE

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Já em 1995, os militantes do segmento T (travestis, transexuais e transexuais ou transgêneros) já defendia a representatividade trans, como o ator transformista Noberto David, que vivia Laura de Vision, nas boates cariocas, achou a escolha de uma ator cisgênero como preconceituosa: "Do jeito que está, não se sabe se é um travesti ou uma 'drag queen'. Parece uma bicha principiante, que ainda se incomoda com piadas. A gente já tira isso de letra", diz.

Gloria voltou a sofrer resistência deste público em 2016, quando anunciou uma atriz cisgênero (pessoa que se identifica com o gênero de nascimento) para o papel do transgênero Ivana/Ivan. Acusada de falta de representatividade, o público ainda não sabia que o enredo seria sobre a transição do corpo feminino para o masculino, e por isso a escolha da atriz que passou uma transição em cena, com a formação de barba e retirada de seios. Em entrevista a GERALDOPOST em janeiro de 2017, a autora disse: "Já imaginou se gênero e sexualidade viessem a ser critério para escolhas artísticas? Um hétero não poderia interpretar um gay, um gay não poderia interpretar um hétero…"

Ainda à Folha, na época, o secretário do grupo Atobá, disse "Ele tinha que se vestir de homem. Gay não é só show, não é só caricatura", curiosamente a mesma polêmica que enfrenta, de forma bem tímida e quase inexistente com a novela "O Outro Lado do Paraíso", de Walcyr Carrasco, atualmente em cartaz na Globo.

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